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APERS recebe Lilián Celiberti e seus filhos, Camilo e Francesca Casariego

Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, relembramos a visita de Lilián Celiberti, Camilo e Francesca Casariego ao APERS

Publicação:

A imagem tem fundo claro com textura semelhante a papel. À esquerda, há um texto grande em preto que diz:
“Dia Internacional dos Direitos Humanos”
Abaixo do texto, está o logotipo do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, também em preto.
À direita, há uma foto dentro de um quadro com cantos arredondados. Na foto, três pessoas estão sentadas em torno de uma mesa clara, usando luvas brancas e manuseando documentos históricos. Sobre a mesa, há jornais antigos abertos e uma folha com imagem colorida. Ao fundo, vê-se parte de um móvel de madeira.
Capa do site
Por Gabriel Gaziero/ Historiador APERS
Fotografia colorida tirada dentro da Sala de Pesquisa do Arquivo Público do Estado. Um grupo de 11 pessoas está alinhado lado a lado, posando para a foto e sorrindo.

Da esquerda para a direita, há:
– Uma mulher de vestido azul escuro, trata-se de Clarissa Sommer;
– Uma mulher jovem de camisa preta e jaqueta listrada, trata-se de Ana Golombiewski;
– Uma mulher de cabelo preso, usando blusa verde e shorts claros, trata-se de Carla Rodeghero;
– Um homem de cabelo grisalho, usando camiseta clara, trata-se de Camilo Casariego;
– Uma mulher de vestido vermelho, trata-se de Francesca Casariego;
– Um homem de óculos, camiseta clara e calça jeans, trata-se de Loy Medeiros;
– Uma mulher de cabelo curto grisalho, blusa branca e segurando uma bengala, trata-se de Lilián Celiberti;
– Um homem de camisa azul marinho com crachá, trata-se de Gabriel Gaziero;
– Um homem de óculos e camisa vinho, também com crachá, trata-se de Álvaro Klafke;
– Um homem de camiseta preta, trata-se de Tiago Fonseca dos Santos;
– Uma mulher de cabelos longos e blusa preta, trata-se de Nôva Marques.

Na frente do grupo há mesas de estudo de madeira. À direita da imagem, sobre uma mesa, está uma bolsa preta. A iluminação é feita por luminárias fluorescentes no teto, e nas paredes há estantes com livros e pastas organizadas.
Arquivo Público recebe Lilián Celiberti, Camilo Casariego e Francesca Casariego, 27 de novembro de 2025.

Em 1978, os militantes uruguaios Universindo Díaz e Lilián Celiberti, e os filhos desta, Camilo e Francesca Casariego, com seis e três anos de idade, protagonizaram um caso que desmascarou o funcionamento da Operação Condor: a cooperação repressiva entre as ditaduras de segurança nacional do Cone-Sul. O que ficou conhecido como “O Sequestro dos Uruguaios”, ocorrido nas ruas de Porto Alegre, tornou-se um caso emblemático das práticas do Terrorismo de Estado e ganhou ampla notoriedade em solo brasileiro, pela atuação de militantes políticos, ativistas, jornalistas e advogados de direitos humanos, como Jair Krischke, Omar Ferri, Luiz Cláudio Cunha e J. B. Scalco, para citar alguns, que mobilizaram uma campanha pela libertação dos sequestrados. Por fim, as crianças, Camilo e Francesca, foram libertados e entregues aos cuidados da avó. Lilián e Universindo, por sua vez, ainda ficaram presos pela ditadura no Uruguai por mais cinco anos. 

Fotografia em preto e branco mostrando duas pessoas em pé, lado a lado, em um ambiente interno. À esquerda está Lilián Celiberti jovem, de cabelo curto e encaracolado, sorrindo enquanto olha para a câmera. Ela veste uma camisa clara de mangas curtas e carrega uma bolsa no ombro. À direita está Universindo Díaz jovem, de expressão séria, vestindo uma camisa xadrez de mangas enroladas. Ele segura levemente a mão da mulher, em um gesto que pode sugerir cumplicidade ou pode representar força.

Ao fundo, a parede está coberta por diversos cartazes com temas políticos e sociais, incluindo ilustrações e textos, alguns com a palavra “Uruguay” e outros abordando direitos humanos. 

A fotografia foi tirada em Porto Alegre, em 1984. A reprodução é de ZH.
Lilián e Universindo, em Porto Alegre, 1984, reprodução de ZH.

Para não se alongar na descrição dos fatos que circundam esse episódio da história recente da nossa cidade, uma vez que ele foi objeto de múltiplas reportagens e pesquisas, recomenda-se ao leitor que quiser se aprofundar a obra do historiador Ramiro José dos Reis “Operação Condor e o Sequestro dos Uruguaios: Nas Ruas de um Porto não muito Alegre", cuja dissertação é possível de ser acessada gratuitamente pelo Lume UFRGS. 

Nem a prisão nem a derrocada das ditaduras no Brasil e no Uruguai extinguiram a vontade transformadora de Lilián e Universindo, que assumiriam outras lutas no campo dos direitos da mulher, da memória, verdade e justiça e dos direitos humanos. Trajetória essa que também foi seguida por Camilo e Francesca, que atuam junto ao Coletivo Jacarandá, que busca fomentar uma cultura de memória e reúne pessoas cujos percursos foram atravessadas pela ditadura e pelo Terrorismo de Estado. 

Esta passagem da família de Celiberti por Porto Alegre se deu, desta vez, pela ocasião da abertura da exposição “Ainda que não me recorde”, de Francesca, no Centro Cultural da UFRGS, no dia 25 de novembro. A mesa de abertura permitiu um momento de troca com Lilián, Camilo e Francesca e foi mediada pela professora Carla Simone Rodeghero, que também integra a Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós da UFRGS.

Fotografia colorida de um evento em auditório, onde quatro pessoas estão sentadas em poltronas à frente de um público numeroso. As quatro pessoas compõem uma mesa de debate.

Da esquerda para a direita:
– Carla Rodeghero: mulher de cabelo ruivo, usando um vestido preto, sentada com as mãos apoiadas no colo;
– Francesca Casariego: mulher de cabelo castanho escuro, vestindo blusa preta, também sentada;
– Lilián Celiberti: mulher mais velha, de cabelo grisalho curto, usando óculos e blusa clara. Ela segura um microfone e está falando ao público, gesticulando com a mão livre;
– Camilo Casariego: homem de cabelo grisalho preso, usando uma camisa azul com detalhes claros, encostado na poltrona.

À frente deles, há várias pessoas sentadas assistindo, com a câmera posicionada atrás do público.

Atrás da mesa, há uma grande tela de projeção exibindo uma imagem com padrões coloridos em tons de vermelho, amarelo e azul, semelhante a um tecido estampado. Sobre a imagem, lê-se o título “ainda que não recorde” e o nome Francesca Cassariego. No canto superior direito da tela, está o logotipo do Centro Cultural da UFRGS.

Em cada lado da tela há uma caixa de som preta. O ambiente é claro, com paredes brancas e iluminação suave. A atmosfera geral é de um encontro cultural ou literário, com público atento.
Carla Rodeghero, Francesca Casariego, Lilián Celiberti, Camilo Casariego, na abertura da exposição "Ainda que não recorde"

No dia 27 de novembro Lilián, Camilo e Francesca visitaram o Arquivo Público, a convite da professora Carla. Na ocasião, foram apresentados os acervos guardados pela instituição que tem relação com a história da ditadura no Brasil. Na sala de pesquisa, eles puderam analisar documentos dos fundos da Comissão Especial de Indenização a Ex-presos Políticos do Estado do Rio Grande do Sul (CEI), que reúne 1704 processos de pessoas presas, torturadas e/ou mortas pelas forças de segurança estaduais durante a ditadura, recolhido ao APERS em 2008, e da Comissão Estadual da Verdade (CEV), que reúne dossiês, audiências públicas, entrevistas e documentos promovidos e reunidos entre 2012 e 2014.

A imagem mostra três pessoas sentadas ao redor de uma mesa, manuseando materiais impressos com luvas brancas, sugerindo cuidado com documentos. Na mesa estão Lilián Celiberti, Camilo Casariego e Francisco Casariego. Sobre a mesa, há:

Um jornal antigo aberto, com títulos e colunas de texto visíveis.
Um álbum ou livro grande com páginas contendo fotografias em preto e branco.
Uma folha colorida com imagem de mapa ou ilustração, que está sendo segurada por duas pessoas.

O ambiente parece ser uma sala simples, com móveis de madeira clara e piso de aparência antiga. Ao fundo, há uma mesa adicional sem objetos sobre ela. A cena indica uma atividade de preservação, pesquisa ou catalogação de documentos históricos.
Analisando processos da Comissão Estadual da Verdade, Comissão Especial de Indenização e materiais da oficina Resistência

Também foram apresentadas as ações educativas desenvolvidas no APERS no âmbito do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS (PEP). A oficina “Resistência em Arquivo: patrimônio, ditadura e direitos humanos”, desenvolvida em 2013 e reformulada em 2023, possui em uma das suas caixas uma abordagem sobre o Plano Condor e utiliza como exemplo o caso de Lilián, Camilo e Francesca. Desde seu desenvolvimento, a oficina já recebeu mais de seis mil estudantes para debater sobre participação política, democracia e direitos humanos a partir de histórias de ex-presos políticos do período da ditadura. 

Fotografia colorida tirada dentro do prédio 1 do Arquivo Público, com prateleiras altas e caixas organizadas ao fundo. O grupo está entre as estantes.

Seis pessoas estão em pé, formando um semicírculo ao redor de uma mulher mais velha, que parece conduzir a explicação.

À esquerda, a mulher mais velha, de cabelo grisalho curto e blusa branca, gesticula com a mão enquanto fala, segurando uma bengala na outra mão, trata-se de Lilián Celiberti. Perto dela, um homem de camiseta cinza observa atentamente, com os óculos pendurados na gola, trata-se de Camilo Casariego.

No centro, uma mulher de cabelo preso, vestindo blusa verde-oliva sem mangas e shorts claros, acompanha a explicação com expressão interessada, trata-se de Carla Rodeghero. Ao seu lado, uma mulher de vestido vermelho e bolsa preta atravessada no corpo observa com atenção, trata-se de Francesca Casariego.

À direita, um homem de camiseta preta sorri enquanto escuta, e à sua frente está uma mulher jovem de cabelo castanho, vista de costas, também prestando atenção, trata-se de Ana Golombiewski, estagiária do educativo do APERS.

O espaço é iluminado por luzes superiores e contém estantes brancas parcialmente vazias e uma escada ao fundo.
Visita ao prédio I do Arquivo Público.

A visita também proporcionou um espaço de escuta sobre a experiência educativa no Cotidiano Mujer e no Coletivo Jacarandá, bem como sobre a trajetória individual dos três e sua luta em prol dos direitos humanos. A presença de Lilián, Camilo e Francesca trouxe grande satisfação e emoção para todos que trabalham no APERS, que do ponto de vista institucional vem a mais de dez anos promovendo ações e reforçando seu compromisso com a pauta dos direitos humanos e da memória sobre a ditadura civil-militar. 

Fotografia colorida mostrando um grupo de oito pessoas sentadas em círculo na Sala de Pesquisa do APERS, participando de uma conversa. A imagem transmite um clima de escuta atenta e troca de ideias.

No lado esquerdo, uma mulher mais velha, de cabelo grisalho curto, veste blusa branca e segura uma bengala apoiada no chão, trata-se de Lilián Celiberti. À direita dela, um homem jovem de camiseta preta sorri enquanto escuta, trata-se de Tiago Fonseca dos Santos. Ao lado dele, uma mulher de vestido vermelho observa a conversa, segurando uma bolsa preta atravessada no corpo, trata-se de Francesca Casariego.

No centro do círculo, um homem de camisa vinho e crachá olha atentamente para quem fala, trata-se de Álvaro Klafke, servidor do APERS. À sua direita, uma mulher jovem de cabelo castanho veste uma jaqueta listrada aberta sobre uma blusa preta, trata-se de Ana Golombiewski, estagiário do educativo do APERS. Ao lado dela, um jovem de cabelos cacheados curtos, camisa azul escura e crachá, está sentado ereto e atento, trata-se de Gabriel Gaziero, servidor do APERS. À direita dele, um homem de cabelo preso e camiseta cinza participa da roda com expressão concentrada, trata-se de Camilo Casariego.

Na parte inferior da imagem, em primeiro plano, vê-se uma mulher de blusa verde e cabelo preso, de costas para a câmera, e uma bolsa marrom apoiada sobre uma mesa clara, trata-se de Carla Rodeghero, professora da UFRGS.

Ao fundo, há estantes baixas com caixas e documentos, armários de madeira, um mapa colorido da do Rio Grande do Sul pendurado na parede e uma porta dupla antiga. A atmosfera da sala é simples e acolhedora, com piso de madeira escura e iluminação suave, sugerindo um encontro institucional ou de pesquisa.
Roda de conversa na Sala de Pesquisa do APERS.

Um agradecimento especial a Lilián Celiberti, Camilo Casariego e Francesca Casariego, pela visita e pelas trocas que nos proporcionaram, e à professora Carla Rodeghero, que tornou este encontro possível.




Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul